Gabinete Transregional de Investigação e Formação de Competências para a Economia Solidaria.
Um instrumento que visa permitir o desenvolvimento de iniciativas nesse domínio e o reforço das estratégias de luta cotra a pobreza exclusão social.
As atividades que deram origem à Associação foram inicialmente desenvolvidas no âmbito do Plano de Desenvolvimento do Projeto INTERREG IIIB CEESA, promovido pelo Instituto de Ação Social e gerido pela CRESAÇOR, CRL. Em 2006, estas experiências e dinâmicas conduziram à constituição da ACEESA – Associação Centro de Estudos de Economia Solidária do Atlântico, com o propósito de assegurar a continuidade das atividades já desenvolvidas e, simultaneamente, promover novas iniciativas próprias.
Desde a sua constituição, a ACEESA tem vindo a aprofundar a articulação entre teoria e prática e prática e teoria, através da investigação, da reflexão crítica, da intervenção e da produção e disseminação de conhecimento nos domínios da Economia Solidária e das áreas com esta relacionadas.
A sua atividade incide, designadamente, sobre a Economia Social, o Desenvolvimento Local e Comunitário, o Desenvolvimento Sustentável, as Finanças Alternativas, a Democracia Participativa, a Igualdade de Oportunidades, a Igualdade de Género e a Coesão Social e Territorial, procurando estabelecer pontes entre o conhecimento científico, as experiências de intervenção e os desafios concretos das comunidades e dos territórios.
Neste percurso, a ACEESA assume igualmente como objetivo contribuir para a produção, sistematização e divulgação de conhecimento, valorizando o diálogo entre diferentes saberes, experiências e perspetivas e promovendo a reflexão sobre modelos de desenvolvimento mais participativos, solidários, inclusivos e sustentáveis.
No aprofundamento da ligação entre a prática e a teoria e a teoria e a prática, nestes domínios, na produção de conhecimento sobre a Economia Solidária e os domínios corelacionados (como Economia Social, Desenvolvimento Local, Desenvolvimento Sustentável, Finanças Alternativas, Democracia Participativa, Igualdade de oportunidades e Coesão Social e Territoria
Foram vários projectos da Macaronésia que se investigou, questionou-se, debateu-se por colocar em prática a concertação do Conceito e a sua aplicação e disseminação nas zonas arquipelágicas em referência. As acção percorridas e apoiadas por diversas iniciativas comunitárias INTERREG III B e EQUAL, bem como por programas operacionais regionais.
A Promoção da Cooperação Económica e Institucional entre as Regiões Insulares Ultraperiféricas, Açores – Madeira – Canárias e com Cabo Verde, deram o mote para o desenvolvimento da cooperação entre o sector privado e público na consolidação das condições de suporte ao crescimento e sustentabilidade do sector económico emergente, o da rede de empresas de economia solidária e da sua articulação à resolução dos problemas sociais relacionados com a pobreza, desemprego e exclusão, através da implementação de estratégias de desenvolvimento local, tendo por base uma metodologia de cooperação transregional e transnacional e uma estratégia de intervenção assente no conceito de economia solidária e dos seus alicerces fundamentais.
Foram criadas oportunidade de consolidar e promover o desenvolvimento de ações de apoio ao então “novo sector emergente” – economia solidária nomeadamente no âmbito da: Investigação – ação, intercâmbio e apoio à inovação; desenvolvimento da qualidade e sistemas de certificação de bens, serviços e organizações economia solidária; apoio a estruturas e circuitos de comercialização; organização sistemas de formação; apoio sistema de crédito e financiamento alternativo; integração laboral de públicos alvo desfavorecidos.
A partilha de experiências, consubstanciado na realização regular de reuniões técnicas de todos os parceiros do projeto INTERREG IIIB CEESA, permitiu a troca de informações prévias à realização das ações, e revelou-se substantivamente, pondo em confronto diferentes filosofias e estratégias de intervenção, com repercussões recíprocas nas metodologias de implementação de projetos e na aferição de resultados, e como tal uma boa prática de uma metodologia ação – investigação.
Foi posicionado, no âmago das inquietações, a sustentabilidade da Economia Solidária, respeitando e valorizando o ambiente, a diversidade cultural, as identidades, os valores étnicos e o diálogo multicultural (ou mesmo inter cultural), assim como busca deparar razões de interesse económico, como forma de a rentabilizar e preservar.
A palavra “solidária” surge “não no sentido social restrito, mas no sentido sistémico, de interdependência e integração com a Vida, e portanto com todas as dimensões em que esta se exprime…”[1]. Assim, “esta” Economia Solidária assenta em cinco vertentes fundamentais[2]:
- Actividade económica, ou seja, uma forma de produção e/ou distribuição de bens e serviços, de criação de empregos, de geração de rendimentos e de satisfação de necessidades, através de consumos que viabiliza;
- Promotora de coesão social; Respeitadora e valorizadora do meio ambiente;
- Respeitadora e valorizadora da diversidade cultural;
- Baseada numa gestão eficiente, ou seja, numa contribuição para a governância integrada das quatro dimensões anteriores;
- Territorializada e promotora de Desenvolvimento Local;
- Assente numa lógica de investigação-acção, que lhe permita uma constante criatividade e adaptação a novos desafios.
[1] AMARO, Rogério Roque e MADELINO, Francisco “Contributos para um Conceito – Economia Solidária”, ESCLA 2006, pág.12
[2] AMARO, Rogério Roque e MADELINO, Francisco “Contributos para um Conceito – Economia Solidária”, ESCALA 2006, pág.13

